Olá pessoal!
Estou aqui para gente falar de artigos científicos, falar de uma forma diferente, isto é, traduzir esses artigos para vocês para ficar claro o que esses artigos falam. E como tivemos a semana do meio ambiente recentemente, eu selecionei um artigo bem bacana sobre alterações ambientais e a extinção de anuros.
O artigo que a Profe trouxe, pessoal, é esse: “Os riscos de extinção de sapos, rãs e pererecas em decorrência das alterações ambientais”. Esse artigo ele foi publicado em estudos avançados em 2010 e eu gostei muito dele porque ele tem uma linguagem muito tranquila e então eu indico muito que vocês leiam este artigo depois, peguem ele, é disponível na internet.
Na verdade, o artigo é como se fosse um compilado de dados nele. Não tem ali um Materiais e Métodos, ele é um texto corrido no qual os autores vão falando as principais ameaças sobre o grupo de anfíbios, principalmente o de anuros. Então é muito legal, pois tem uma abordagem bem bacana, inclusive eu o utilizei também para fazer o meu curso e eu abordo algumas dessas questões mais aprofundadas nele também.
Então o artigo começa primeiro dando essa explicação geral sobre os anuros. Eles são uma ordem da classe amphibia. Os representantes da classe amphibia são conhecidos como rãs pererecas e os sapos.
Qual é a diferença básica entre eles?
O sapo tem uma glândula de veneno, chamada glândula paratoide. As pererecas têm uma “bolinha” nos dedos que são os discos adesivos e é por isso que elas conseguem grudar nas folhas e ficar em posições mais altas numa árvore. Já a perereca tem um “calombinho” no final da região dorsal ali do corpo e os dedos são bem compridos. Essas são caracterizações gerais, pois existem exceções.
Os anuros, pessoal, compõem um grupo muito ‘biodiverso’. Eu já falei algumas vezes que a gente tem uma quantidade de espécies no mundo que desconhecemos e, quando a gente pensa no Brasil, esse número de espécies aumenta ainda mais. São mais de mil espécies no Brasil! Então engana-se quem pensa que é só o sapo cururu lá.
O Brasil ocupa um ranking de diversidade muito bacana, estamos entre os primeiros países que têm o maior número de espécies de anuros. Por isso que a gente, quando pensa em conservação de anfíbios, logo associamos às questões ambientais.
A gente tem pelo menos 500 espécies no Brasil que são consideradas endêmicas, isto é, são restritas ao nosso território nacional. Quando a gente pensa novamente em ameaças ou em alterações do ambiente, a gente tem que pensar muito nos anfíbios também porque várias espécies ocorrem somente no brasil. Então essas alterações no ambiente têm provocado a morte desses indivíduos, dessas espécies. Enfim, o Brasil perdendo essa espécie, essa espécie fica extinta no planeta todo.
Isso coloca o Brasil, mais uma vez, numa posição privilegiada em relação à biodiversidade e, ao mesmo tempo, numa posição onde realmente devem ser consideradas as questões conservacionistas com mais cautela e mais cuidado principalmente observando esse grupo de anuros.
O grupo dos anfíbios tem diminuído ao longo de muito tempo, principalmente no nível nas regiões neotropicais onde o número de espécie é maior. Então as populações têm crescido muito e nós temos várias espécies que já são consideradas extintas e provavelmente muitas foram extintas sem a gente nem ter descoberto, pessoal. Então é um grupo que realmente necessita de mais estudos aprofundados para a gente saber sobre essas questões conservacionistas.
A gente tem cerca de trinta por cento das espécies que podem ser extintas nos próximos dez anos. Esse foi um dado que foi colocado neste artigo em 2010, como a gente já tá em 2020 provavelmente já perdemos várias espécies de 2010 até 2020 dentro desses trinta por cento aí. Então realmente é um grupo que tem que ser levado em consideração quando a gente pensa nessas mudanças ambientais que têm ocorrido no país e do mundo todo.
Qual que é a principal causa a diminuição dessas espécies, pessoal?
Principalmente as alterações ambientais, pois elas interferem muito na proliferação e na manutenção dessas espécies de anuros e essas alterações ambientais nós já sabemos que são ocasionados pelo próprio homem.
Fragmentação de Matas
A fragmentação de matas é o processo no qual o homem está, por exemplo, construindo uma estrada, uma cidade, uma ponte no meio de uma vegetação, de forma que essa vegetação começa a ficar separada criando bordas. Aí a gente vai ver vários pedaços de vegetação, como se fossem ilhas de vegetação. A ilha não é um pedaço de terra cercado de água por todos os lados? Na natureza, o que tem ocorrido como principal ameaça para os anfíbios e para o seu organismo também é que a vegetação tá ficando cada vez menor.
O grande problema é que quanto mais as estruturas da vegetação ficam mais fragmentadas e ficando mais isoladas uma da outra mais nós temos o chamado “efeito de borda”. Esse efeito de borda causa maior incidência de radiação luminosa, ela tem mais chuva, ou seja, perda de hábitat, e então tem o número de espécies muito restrito devido a esse efeito.
Dendropsophus bromeliaceus
Esse bichinho lindo mora e reproduz-se em bromélias, onde os girinos desenvolvem-se. O que que acontece se por acaso deixa de existir bromélias pessoal? Essa espécie aqui não consegue mais reproduzir. Então a população começa a diminuir cada vez mais devido à perda de habitat. E se essa população está diminuindo cada vez mais, eu tenho a chamada redução da diversidade genética: uma população muito pequena, os indivíduos começam a se reproduzir entre eles mesmos e aí existe uma facilidade de um gene que era “ruim” (por exemplo, associado a alguma doença específica) passar para os demais organismos, de forma que todos vão morrer e a espécie pode ser extinta.
Introdução de espécies exóticas
Às vezes, a espécie exótica chega e não dá certo e não sobrevive. Porém, na hora que essas espécies exóticas são introduzidas num ambiente específico onde a temperatura é parecida, onde ela tem muita presa, onde ela não tem predador, ela se dá bem. Quando essas espécies exóticas começam a se dar bem, elas causam um problema para as espécies nativas, pois muitas delas elas são competitivas superiores as espécies nativas, além das doenças que as espécies exóticas carregam consigo.
Exemplo: Chegou um sapo que não era do Brasil. Esse sapo foi lá para uma represa qualquer, onde a temperatura era igual do seu local de origem, tem presa para ele tá se alimentando… Além disso, ele é muito forte e ele pula muito. Isso favorece ele a pegar um monte de presa. E já que ele é maior, ele precisa de muito mais presa. Só que na mesma represa onde ele foi introduzido, tenho uma espécie nativa de sapo que se alimenta das mesmas presas e não tá mais conseguindo encontrar esses bichos porque a espécie exótica tá pegando todas.
Radiação Ultra Violeta
Uma outra ameaça que nós podemos mencionar aí é a radiação, porque o excesso de exposição ocasiona o que chamamos de mutagenicidade. Isto é, pode causar uma modificação das características genéticas das células dos anfíbios causando problemas de mutação, já que eles têm estruturas muito mais simples da pele, que absorve muito mais radiação UV.
Poluição
A liberação de substâncias químicas no ar, na água e no solo causa enorme impacto a essas pelo fato de apresentarem também uma pele muito fina, que é utilizada para respiração cutânea, fazendo com que a absorção dessas substâncias químicas seja ainda mais evidente.
Aquecimento Global
O aquecimento global nada mais é do que o aumento de temperatura no planeta. Essa alteração ambiental afeta o clima de certas regiões, alterando o regime de chuvas, por exemplo. Esses padrões de chuva acabam interferindo no desenvolvimento das espécies de anfíbios, pois dependem do ambiente aquático para seu desenvolvimento.
- A gente pode ter ovos que são depositados e “secam” porque esses ovos são muito finos, não tem casca.
- A pele desses anfíbios passa a ressecar, prejudicando a respiração cutânea.
- E ainda tem a questão da falta de alimento, pois uma seca prolongada pode diminuir o número de insetos e aí eles não se alimentam.
Consequentemente a população começa a diminuir a gente vai ter extinção de espécies.
Doenças
Os anfíbios também por terem essa pele mais fina, mas principalmente por eles terem processos e comportamentos, principalmente nas larvas, onde eles ficam todos juntinhos, aglomerados, chamado de cardumes e tudo mais. Acabam sendo muito suscetíveis à transmissão de doença de um para outro, correndo o risco de se alastrar na população e a população vir por água abaixo e começar a ter extinção de espécies por conta de doenças.
Quitridiomicose
É uma micose que acomete tanto girinos enquanto adultos. No Brasil já foram identificadas 21 espécies que já sofreram o ataque dessa doença ou micose. No entanto, não se sabe se essas espécies diminuíram o tamanho populacional ou não.
Existem alguns estudos que falam, mas não se sabe para todas as espécies o que realmente aconteceu, e acredita-se que o alastramento da quitridiomicose se dá principalmente por essas duas espécies: Xenopus laevis e Lithobates catesbeianus. São espécies exóticas que entraram no Brasil, uma para estudos em laboratórios e outra para criação em ranários.
Mas qual será o principal fator que ameaças as espécies?
Não há dados suficientes para determinar o principal fator, são necessárias mais pesquisas, mais coletas de dados e mais estudos de longo prazo, um acompanhamento de vários anos.
O que sabemos atualmente é que:
- Estamos perdendo espécies mesmo em áreas de conservação ambiental (UC’s).
- As espécies com maior especialização reprodutiva sofrem mais com as alterações.
- Quanto maior a altitude que essas espécies ocorrem, mais suscetíveis às alterações também.
Conclusão
O artigo fecha e conclui com uma ideia muito bacana, utilizando o exemplo do bioma mata atlântica. A gente sabe que tem uma série de ausência de dados para várias espécies, tem algumas espécies já conhecidas e ameaçadas de extinção e outras já extintas.
Vamos pensar onde que a mata atlântica está: num local onde a gente tem perda de habitats constante, tem um processo de fragmentação gigantesco, num local onde radiação ultravioleta é alta, onde há centros de poluição (Sudeste do Brasil). Então das ameaças que a gente falou durante o texto, praticamente tudo aconteceu lá na Mata Atlântica.
Então o artigo termina com essa ideia de que todas as espécies deste bioma deveriam ser consideradas ameaçadas de extinção. Não tem uma espécie que é menos ameaçada do que outra até que se prove o contrário porque as ameaças que interferem desenvolvimento e a manutenção dos anfíbios ocorrem o tempo inteiro na mata atlântica e eu achei muito interessante.
Por fim, a leitura desse artigo vale para a gente refletir sobre todas as alterações que nós estamos fazendo no ambiente colocando todos os organismos em algum grau de ameaça, em especial aos anfíbios.
Um abraço da Profe Pri!
